Um amigo, ao cadastrar-se para fazer um comentário, cometeu um erro e cadastrou-se com o meu nome: betometri.
Portanto, ao emitir sua opinião a respeito de um dos meus textos, ficou registrado como se eu o tivesse feito.
Logo, quando aparecer algum comentário com meu nome, saibam que não é de minha autoria.
Mas espero que ele continue a ler e a fazer os comentários que quiser.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
OS LIBANESES EM PALMA

É necessário que se faça algum registro sobre a importância dos imigrantes libaneses que se instalaram em Palma no início do século passado e sua contribuição para o desenvolvimento do comércio do município.
Infelizmente, até a data em que redijo o texto que se segue,no poder público municipal, de todos os tempos, ainda não apareceu ninguém sensível o suficiente para reconhecer a grande contribuição dos libaneses que vieram para nossa região e se fixaram em Palma.Na sede do município não existe nada (rua, placa, praça, monumento ou qualquer outra manifestação) que faça lembrar a importância do libanês na cidade.
Inicio tal registro com a relação daqueles que constituíram família e por aqui ficaram por muito tempo. (peço perdão pela grafia errada de algum nome)
A seguir, os casais que aqui vieram residir, aqueles que se casaram em nossa terra e constituíram suas famílias, com os respectivos filhos e outros
Depois, apenas algumas lembranças e coisas que ouvi contar.
- Alfredo Salim e Sahud Salim ( Nacib, Chaquib, Faride, Jofre. Alfredo, José, Glorinha,Selma e Iracema)
- Calixto Maluf e Alida Maluf Miguel ( na verdade Kalil Maluf Salum e Alida Metre Maluf)(Assed, Chafia e Odete)
- Chicre Metre Maluf e Maria Kalil Metre( Pedro, Said, José, Ralile, Sahda, Libania, Rosa e Hily)
- Daher Mirad e Burbara Sahid ( Mirat, Maron, Fideles, Teresa, Arlete, Manira, Alzira, Maria da Penha)
- Elias Abdalla Saab e Maria Metre Abdalla (sem filhos)
- Família Salum, em Cisneiros.
- Feres Maron e Amélia Metre Maron (Victória e Odaléa)
- Feres Metre a Málaque Simão Metre (Maria, Amélia, José, Helena e Laila)
- Feres Nemer e Málaque Nemer (Wilson , Jorge, Ivone, Ivete, Tereza, Vitória e Emily)
- João Simão e Sahda Simão ( Nacib, Adib, Said, Simão, José, Chafih, Latufala, Maria Helena e Jamel)
- Jorge Ammar e Soraya Ammar (Mansur, Emily, Jorgete, Janete e Jane)
- José Auad e Maura Manira Auad (Lea, Marina, Terezinha, Joana D’Arc, Maria José, Maria Imaculada, Maria Cristina, Maron, Pedro, Antonio de Pádua e João Batista)
- José Simão e Violeta Simão (Américo, Michel, Mário, Nazira, Adiba, Adelina, Maria, Violeta, Faride e Emília)
- Latuf Abdalla e Ward Abdalla Chebli ( Fued, Nege, Michel, Amale)
- Miguel Felipe Amaro e Isabel Namitala Amaro (Omar, Hinkler, Norma, Márcia, Carlos Miguel e Eber Pólo)
- Roque Nacif e Maria Jacob Nacif (Nagila, Maura Manira e Antonio )
- Said Abdalla e Jamel Abdalla ( Victória)
- Said Mansur e Saide Mansur ( Chaquib, Diebe, Hacibe, Michel, Nimer, Málaque, Linda e Manira )
- Salim Simão e Helena Simão (Salomão, Nagib, José e Maria Helena)
- Salomão Salim Maluf e Nazira Simão Maluf (Michel e José Carlos)
- Said Chicre (não se casou)
- Pedro Chicre (casou-se com uma brasileira: Nair Buarque Chicre)Maria Helena, Norma, Amale, Vitória, Antonio, Elias, José Paulo e João Batista)
- Málaque Mansur (Casou-se com um brasileiro, João Pereira Gomes) – João Antonio, Rily, Estela, Josélia, Sonia e Heleno)
Minha avó era uma grande contadora de histórias, nas quais a personagem principal era ela, Málaque Simão Metre. . E contava com tantos detalhes, que minha cabeça de criança usava toda a fantasia possível para torna-las ( as histórias) ainda mais bonitas.
Contava, minha avó, que meu avô, Feres Metre, a deixou grávida, no Líbano, e veio para o Brasil, em 1912, em busca de uma vida melhor, e que breve mandaria busca-la. Lá nasceu minha tia, Maria Metre.
No Líbano, também, ainda ficaram os irmãos de minha avó, José, João, Salim e Wadyh, que, posteriormente, também vieram para o Brasil.
Meu avô, que foi um grande e competente marceneiro, veio para o Brasil e logo começou a trabalhar, mesmo com a barreira da língua árabe. Ele nada falava em português.
Depois que minha tia nasceu, minha avó ainda permaneceu no Líbano por mais algum tempo., na Cidade de Kfar Katra, onde nascera. Sobre esta cidade ela deixou gravadas nas minhas lembranças as imagens da rua e da casa onde morava. Para mim a casa era de pedra, muito bonita, embora cinzenta (cor da pedra). Mais alta do que a rua, a casa tinha um porão onde se guardavam tonéis cheios de azeite com bolinhas de lábine mergulhadas no óleo. Tinha muita azeitona. E ovelhas. E comida gostosa. Minha tia chegou a brincar por lá antes da vinda para o Brasil. Contava que chegou a dar ovo frito para o priminho recém nascido, Salomão, que também veio para o Brasil, onde se casou com uma prima, chamada Nazira.
Hoje penso como deve ter sido triste deixar a cidade natal, a terra natal e rumar para um país distante e desconhecido, e nunca mais, NUNCA MAIS rever o pai, a mãe. Arrancavam-se as raízes e voavam pelo mundo.
Uma interrupção para contar outro caso:Assim foi com tio Elias, (o Elias Abdalla Saab)ainda criança. Aos 12 anos, em 1914, na companhia que um tio dele que iria para a Argentina, o menino deixou pai, mãe e irmãos na cidade de Maasser Beit Eddine, e , num navio, veio para a América do Sul. Aqui no Brasil, o tio o deixou e seguiu para a Argentina. Elias ficou por aqui, nunca me contou como. Só sei que nunca mais reviu pai e mãe. Um irmão, chamado Bechara Abdalla Saab veio passear no Brasil em 1968. Eu me lembro perfeitamente da emoção do reencontro. Ficou por aqui algum tempo e depois foi embora. E não mais voltou. O Elias desse parágrafo casou-se em 1930 com a Maria, filha da Málaque e do Feres, do início da história.
Lá em Kfar Katra, Málaque continuou a viver com Maria até que Feres Escreveu dizendo que ela poderia vir para o Brasil.
Mas o melhor da história, para mim, ainda criança, foi a que ela contou sobre a viagem de navio até o Brasil. Pela descrição que vovó fazia e o que minha mente visualizava, o navio era uma grande e moderna cidade flutuante. Tinha ruas, todas cobertas, com vendas (lojas) nas laterais. Como em Palma, na Rua do Cinema, as pessoas também passeavam pra lá e pra cá pelas ruas do navio.
A história é confusa, sem uma seqüência correta, mas é assim que os fatos vêm na minha cabeça.
Na década de 1960, o progresso trouxe aqueles imensos gravadores, com rolos também imensos de fitas. O gravador era do Hélcio Marcenes. Tia Ward juntava todos os libaneses na casa dela e Hélcio levava o gravador. E em meio a grande porções de tabule, homus, quibe e às vezes Arak (bebida árabe destilada da tâmara ou da uva, aromatizada com aniz), cada um gravava , entre risos e muito choro, suas mensagens que, depois, eram enviadas pelo correio para familiares no Líbano. Lá, outra reunião. Eles ouviam e gravavam as respostas. Outra vez a fita era colocada no correio. Quando chegava aqui em Palma, outra reunião. Todos ouviam. Riam. Davam gargalhadas. Choravam mais ainda. E a língua árabe era revivida em cada um desses encontros. É uma pena que hoje, dos poucos descendentes, apenas as irmãs Odete e a Chafia Maluf Miguel ainda saibam algumas palavras e contem algumas histórias.
Para Palma vieram muitos libaneses. Na maioria parentes. Aqui se estabeleceram e muito fizeram pela cidade. José Auad, Miguel Felipe Amaro, José Simão, João Simão, Said Abdalla, Elias Abdalla, Latuf Abdalla, Jorge Ammar, Salomão Salim Maluf, Feres Maron, dentre outros, foram importantes comerciantes na cidade.
O comércio palmense desenvolveu-se com os libaneses.
Algumas das principais lojas de libaneses, em Palma, a partir da década de 1920:
Casa Azul de Elias Abdalla – Grande e variadíssimo sortimento de fazendas finas, fazendas grossas para lavoura, ferragens, calçados, louças e miudezas em geral. Rua da Estação. (jornal A Voz de Palma – 1932)
Casa Estrela de Astolfo Abdala – Fazendas , armarinhos, louças, ferragens, perfumarias, calçados, chapéus, papelaria, artigos escolares, etc
A Barateira de José Auad – tecidos, artigos de perfumaria, louças e miudezas em geral – Esquina da Rua João Pinheiro com Rua Dr. Victor Ferreira.
Casa São Jorge de Jorge Ammar- Anúncio no Jornal A Voz de Palma , de 1932 - Completo sortimento de bebidas finas, nacionaes e estrangeiras, doces, conservas e artigos para fumantes. Tem annexo um bem montado Salão de Bilhares – Rua Dr. Victor Ferreira – Próximo ã Ponte.
Conta-se, também, que Seu Jorge, da Casa São Jorge, ensinou a muitas crianças o jogo de bilhar e um outro, chamado bagatela (ou bacatela – sobre esse jogo só encontrei um registro de que é tipo pimball) . Para tanto ele pedia às crianças que recolhessem as garrafas de bebidas vazias do bar. O tempo de jogo para cada criança dependia da quantidade de garrafas recolhidas.
Hoje, das lojas fundadas por libaneses em Palma, somente uma se mantem, embora com outro nome e outro proprietário: a Casa Azul, de Elias Abdalla, loja de tecidos, armarinho, funciona no mesmo local, ainda comercializando tecidos e armarinho.
Palma, 27 de agosto de 2009
(FOTO: Feres Metre e Málaque Simão Metre. Os filhos (atrás) José, Amélia, Maria, (na frente)Laila e Helena
.
- Málaque Mansur (Casou-se com um brasileiro, João Pereira Gomes) – João Antonio, Rily, Estela, Josélia, Sonia e Heleno)
Minha avó era uma grande contadora de histórias, nas quais a personagem principal era ela, Málaque Simão Metre. . E contava com tantos detalhes, que minha cabeça de criança usava toda a fantasia possível para torna-las ( as histórias) ainda mais bonitas.
Contava, minha avó, que meu avô, Feres Metre, a deixou grávida, no Líbano, e veio para o Brasil, em 1912, em busca de uma vida melhor, e que breve mandaria busca-la. Lá nasceu minha tia, Maria Metre.
No Líbano, também, ainda ficaram os irmãos de minha avó, José, João, Salim e Wadyh, que, posteriormente, também vieram para o Brasil.
Meu avô, que foi um grande e competente marceneiro, veio para o Brasil e logo começou a trabalhar, mesmo com a barreira da língua árabe. Ele nada falava em português.
Depois que minha tia nasceu, minha avó ainda permaneceu no Líbano por mais algum tempo., na Cidade de Kfar Katra, onde nascera. Sobre esta cidade ela deixou gravadas nas minhas lembranças as imagens da rua e da casa onde morava. Para mim a casa era de pedra, muito bonita, embora cinzenta (cor da pedra). Mais alta do que a rua, a casa tinha um porão onde se guardavam tonéis cheios de azeite com bolinhas de lábine mergulhadas no óleo. Tinha muita azeitona. E ovelhas. E comida gostosa. Minha tia chegou a brincar por lá antes da vinda para o Brasil. Contava que chegou a dar ovo frito para o priminho recém nascido, Salomão, que também veio para o Brasil, onde se casou com uma prima, chamada Nazira.
Hoje penso como deve ter sido triste deixar a cidade natal, a terra natal e rumar para um país distante e desconhecido, e nunca mais, NUNCA MAIS rever o pai, a mãe. Arrancavam-se as raízes e voavam pelo mundo.
Uma interrupção para contar outro caso:Assim foi com tio Elias, (o Elias Abdalla Saab)ainda criança. Aos 12 anos, em 1914, na companhia que um tio dele que iria para a Argentina, o menino deixou pai, mãe e irmãos na cidade de Maasser Beit Eddine, e , num navio, veio para a América do Sul. Aqui no Brasil, o tio o deixou e seguiu para a Argentina. Elias ficou por aqui, nunca me contou como. Só sei que nunca mais reviu pai e mãe. Um irmão, chamado Bechara Abdalla Saab veio passear no Brasil em 1968. Eu me lembro perfeitamente da emoção do reencontro. Ficou por aqui algum tempo e depois foi embora. E não mais voltou. O Elias desse parágrafo casou-se em 1930 com a Maria, filha da Málaque e do Feres, do início da história.
Lá em Kfar Katra, Málaque continuou a viver com Maria até que Feres Escreveu dizendo que ela poderia vir para o Brasil.
Mas o melhor da história, para mim, ainda criança, foi a que ela contou sobre a viagem de navio até o Brasil. Pela descrição que vovó fazia e o que minha mente visualizava, o navio era uma grande e moderna cidade flutuante. Tinha ruas, todas cobertas, com vendas (lojas) nas laterais. Como em Palma, na Rua do Cinema, as pessoas também passeavam pra lá e pra cá pelas ruas do navio.
A história é confusa, sem uma seqüência correta, mas é assim que os fatos vêm na minha cabeça.
Aqui, minha avó teve mais quatro filhos: Amélia (casou-se com Feres Maron), José (casou-se com a brasileira Antonia) , Helena (minha mãe, casada com o brasileiro, Oliveiros) e Laila (casou-se com Jacob Massud Jacob).
SALOMÃO
Salomão era o único que sabia escrever em árabe, em Palma. Era ele o redator de todas as cartas que iam e o leitor de todas as cartas que vinham do Líbano.Na década de 1960, o progresso trouxe aqueles imensos gravadores, com rolos também imensos de fitas. O gravador era do Hélcio Marcenes. Tia Ward juntava todos os libaneses na casa dela e Hélcio levava o gravador. E em meio a grande porções de tabule, homus, quibe e às vezes Arak (bebida árabe destilada da tâmara ou da uva, aromatizada com aniz), cada um gravava , entre risos e muito choro, suas mensagens que, depois, eram enviadas pelo correio para familiares no Líbano. Lá, outra reunião. Eles ouviam e gravavam as respostas. Outra vez a fita era colocada no correio. Quando chegava aqui em Palma, outra reunião. Todos ouviam. Riam. Davam gargalhadas. Choravam mais ainda. E a língua árabe era revivida em cada um desses encontros. É uma pena que hoje, dos poucos descendentes, apenas as irmãs Odete e a Chafia Maluf Miguel ainda saibam algumas palavras e contem algumas histórias.
Para Palma vieram muitos libaneses. Na maioria parentes. Aqui se estabeleceram e muito fizeram pela cidade. José Auad, Miguel Felipe Amaro, José Simão, João Simão, Said Abdalla, Elias Abdalla, Latuf Abdalla, Jorge Ammar, Salomão Salim Maluf, Feres Maron, dentre outros, foram importantes comerciantes na cidade.
O comércio palmense desenvolveu-se com os libaneses.
Algumas das principais lojas de libaneses, em Palma, a partir da década de 1920:
Casa Azul de Elias Abdalla – Grande e variadíssimo sortimento de fazendas finas, fazendas grossas para lavoura, ferragens, calçados, louças e miudezas em geral. Rua da Estação. (jornal A Voz de Palma – 1932)
Casa Estrela de Astolfo Abdala – Fazendas , armarinhos, louças, ferragens, perfumarias, calçados, chapéus, papelaria, artigos escolares, etc
A Barateira de José Auad – tecidos, artigos de perfumaria, louças e miudezas em geral – Esquina da Rua João Pinheiro com Rua Dr. Victor Ferreira.
Casa São Jorge de Jorge Ammar- Anúncio no Jornal A Voz de Palma , de 1932 - Completo sortimento de bebidas finas, nacionaes e estrangeiras, doces, conservas e artigos para fumantes. Tem annexo um bem montado Salão de Bilhares – Rua Dr. Victor Ferreira – Próximo ã Ponte.
Conta-se, também, que Seu Jorge, da Casa São Jorge, ensinou a muitas crianças o jogo de bilhar e um outro, chamado bagatela (ou bacatela – sobre esse jogo só encontrei um registro de que é tipo pimball) . Para tanto ele pedia às crianças que recolhessem as garrafas de bebidas vazias do bar. O tempo de jogo para cada criança dependia da quantidade de garrafas recolhidas.
Hoje, das lojas fundadas por libaneses em Palma, somente uma se mantem, embora com outro nome e outro proprietário: a Casa Azul, de Elias Abdalla, loja de tecidos, armarinho, funciona no mesmo local, ainda comercializando tecidos e armarinho.
Palma, 27 de agosto de 2009
(FOTO: Feres Metre e Málaque Simão Metre. Os filhos (atrás) José, Amélia, Maria, (na frente)Laila e Helena
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009
NAQUELA MESA DO CALIFA - UMA CONVERSA. UM REGISTRO.
Estávamos sentados nO Califa, conversando.
E ela disse, numa confissão um tanto triste:
- Vou fazer 60 anos. E deixei de fazer tanta coisa na minha vida! Se eu pudesse, voltava lá nos meus dezoito, vinte anos e faria muitas outras coisas. Minha vida passou e não fiz nem metade das coisas que queria fazer.
Ele discordou.
- Não é bem assim que a gente deve pensar. Se você analisar direitinho vai ver que todos os momentos da sua vida foram preenchidos. Assim é que o tempo corre. Sendo preenchido. Hoje somos a soma de todos os dias , todos os milésimos de segundo de nossas vidas. Não houve tempo para fazermos mais nada além do que fizemos. Toda a nossa vida foi vivida. Todo o nosso tempo foi útil, no sentido de utilizado.Até pelas coisas que deixamos de fazer.
Então, não há do que reclamar. Só somos o que somos hoje, porque fomos o que fomos ontem.
- É. Sabe que você pode ter razão!?
- Pois é. Não vale a pena a gente ficar chorando pelo que passou. Ou até pelo que não aconteceu. O Ontem já passou e não podemos fazer nada para muda-lo. Amanhã será outro dia e não temos capacidade de prevê-lo . Então, vamos ser felizes hoje.. Porque se acordarmos amanhã, iremos faze-lo com alegria porque fomos dormir bem. E assim “la nave va”. Graças a Deus!
Não era papo de bêbado, nem filosofia barata, nem conversa pra boi dormir, nem falta do que falar.
Foi uma conversa da qual participei, ouvindo. Só abri a boca pra falar que gostei e que valia a pena registrar.
Está feito o registro.
Palma, 26 de agosto de 2009.
E ela disse, numa confissão um tanto triste:
- Vou fazer 60 anos. E deixei de fazer tanta coisa na minha vida! Se eu pudesse, voltava lá nos meus dezoito, vinte anos e faria muitas outras coisas. Minha vida passou e não fiz nem metade das coisas que queria fazer.
Ele discordou.
- Não é bem assim que a gente deve pensar. Se você analisar direitinho vai ver que todos os momentos da sua vida foram preenchidos. Assim é que o tempo corre. Sendo preenchido. Hoje somos a soma de todos os dias , todos os milésimos de segundo de nossas vidas. Não houve tempo para fazermos mais nada além do que fizemos. Toda a nossa vida foi vivida. Todo o nosso tempo foi útil, no sentido de utilizado.Até pelas coisas que deixamos de fazer.
Então, não há do que reclamar. Só somos o que somos hoje, porque fomos o que fomos ontem.
- É. Sabe que você pode ter razão!?
- Pois é. Não vale a pena a gente ficar chorando pelo que passou. Ou até pelo que não aconteceu. O Ontem já passou e não podemos fazer nada para muda-lo. Amanhã será outro dia e não temos capacidade de prevê-lo . Então, vamos ser felizes hoje.. Porque se acordarmos amanhã, iremos faze-lo com alegria porque fomos dormir bem. E assim “la nave va”. Graças a Deus!
Não era papo de bêbado, nem filosofia barata, nem conversa pra boi dormir, nem falta do que falar.
Foi uma conversa da qual participei, ouvindo. Só abri a boca pra falar que gostei e que valia a pena registrar.
Está feito o registro.
Palma, 26 de agosto de 2009.
SETE DE SETEMBRO. É DIA DE PARADA.
Blusa branca bem engomada e saia azul marinho. Comprimento da saia abaixo dos joelhos. Sapatos pretos bem lustrados.Este é o uniforme das professoras. Exceção para uma só. Esta, em especial, usa tênis brancos. E um apito estridente sempre pronto para nos alertar sobre um passo errado ou uma brincadeira fora de hora. Esta é Dona Romilda, a professora de ginástica (ainda não se usava falar Educação Física).
Aos gritos de ordem, a turma se esmerava em: Sentido. Esta posição consiste em ficar rígido, com as pernas esticadas, as mãos espalmadas juntas às coxas e os braços meio curvos. Os calcanhares devem se tocar e as pontas dos pés devem estar meio abertas. Com a cabeça erguida, os olhos deverão olhar para a frente. Depois: Descansar: é uma boa posição. Com os braços cruzados nas costas e as pernas e os pés mais afastados. Cobrir: com o braço direito estendido até tocar, com os dedos, o ombro do companheiro à nossa frente. E tem também: direita, volver! Esquerda, volver! Meia-volta, volver! Esquerdo, direito, esquerdo, direito, esquerdo, direito. O pé esquerdo tem que tocar o chão, com força, na batida mais forte do bumbo. E por aí vai, até o melhor de todos: FORA DE FORMA.
Hoje é dia 7 de setembro de 1960. Todas as professoras recrutadas para o desfile escolar(Naquela época desfile era chamado de parada)Os alunos, levantam-se bem cedo. Os meninos, com calças curtas azul-marinho, camisas brancas bem passadas,sapatos pretos engraxados, cabelos bem cortados.Predomina o corte “Príncipe Danilo”: Cabelo “Príncipe Danilo” ou cabeça raspada com topetinho na frente. Segundo minha pesquisa, este tipo de corte foi usado por um jogador brasileiro, chamado Danilo Alvim. Apelidado de “príncipe”,ele começou a carreira no América do Rio e chegou a jogar na Seleção Brasileira.As meninas, com saia azul marinho toda pregueada, blusa branca abotoada até o pescoço, sapatos brilhando e meias brancas.
A bateria já está pronta. Meninos e meninas em fila. Professoras a postos. Dona Judith no comando. E Dona Romilda tem todo o seu trabalho para mostrar à cidade. Uma a uma, todas as turmas vão para a frente do Grupo. Separados por classe, todos entram em forma. Por ordem de tamanho. Um a um. Uma a uma.
Um apito. Dona Romilda grita as palavras de ordem. EM FORMA! COBRIR! MARCAR PASSO. ESQUERDO. DIREITO. ESQUERDO. DIREITO. ATENÇÃO. ESQUERDO. DIREITO. Seguindo a batida do bumbo, Dona Romilda, dá a ordem. MARCHA.
Mantendo a distância dada pela ordem de Cobrir, saímos em desfile pela cidade. Na frente, abrindo o desfile, vão as meninas com luvas brancas, carregando as bandeiras do Grupo Escolar Artur Bernardes e do Estado de Minas. Ao centro, um menino, com calça comprida e camisa de mangas longas, levando a Bandeira Nacional.
A Rua do Cinema, ou Rua Dr,. Victor Ferreira, está apinhada de gente. Bandeirinhas nas cores verde e amarela. Cada um com todo cuidado para não errar o passo. Trocar o pé na hora da batida forte do bumbo é motivo de um “pito” da Dona Romilda e de chacota por parte do resto da turma.
Num determinado ponto da rua, o Prefeito, a Primeira Dama, o Juiz de Direito, o Promotor, o Padre e outras autoridades assistem e aplaudem com entusiasmo. O Chefe do Destacamento Policial da cidade chega a fazer continência quando passa o pavilhão nacional..Os alunos e alunas estufam o peito militarmente ao passar em frente às autoridades. Querem fazer bonito. E acertam mais o passo, batendo firme o pé no chão, quando um aceno mais empolgado indica que papai e mamãe querem escancarar seu orgulho, satisfação e alegria. As crianças apenas olham de lado e sorriem também orgulhosas.
O desfile segue pela Rua João Pinheiro, até o Açougue do Maron, onde vira e desce de volta pela mesma rua, em direção à Rua Bias Fortes, até o Grupo Escolar.
A bateria para.
Dona Romilda apita.
Sentido!
Descansar.
E o tão esperado FORA DE FORMA.!
Agora só se vê a molecada correndo e gritando pelas ruas na volta pra casa.
E Viva o Brasil!!
Palma, 25 de agosto de 2009.
Dia do Soldado
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
ATA DO TAP - FESTA DO ALGODÃO E MISS ELEGANTE 1958
ATA RETIRADA DO LIVRO DE ATAS DO TAP
Aos 20 dias do mês de julho de 1958, foi realizada no club local a Festa do Algodão, organizada pelo T.A.P.
Para comentar a referida festa transcrevo abaixo o artigo do Dr. Fued Abdala Chebli, pelo jornal “A Defesa”de 24 – 8- 1958.
FESTA DO ALGODÃO
Escreveu Fued Abdala Chebli
Realizou-se no dia 20 de julho próximo passado, no sal’`ao principal da Sociedade Musical Santa Cecília, a tradicional festa do algodão, promovida pelos integrantes do Teatro de Amadores de Palma e animada por “Carmindinho” e seu conjunto, apontado sem favor como o melhor do Estado do Rio.
A grande festa, como se esperava, transcorreu com o brilhantismo e entusiasmo que caracterizam as iniciativas do T.A.P.
Como início das festividades, foi organizado um magnífico desfile de modas em tecidos de algodão, salientando-se as novas linhas “trapézio”, “saco”, “fofoca”, “colher”, ’”melindrosa” etc., do mesmo participando encantadoras senhoritas da sociedade local e visitantes, especialmente convidadas.
Ao ser iniciado o monumental desfile, já era das mais intensas a expectativa reinante entre os presentes. E precisamente as 22 horas, ante uma comissão julgadora escolhida com muito carinho, surgiu na passarela, linda, distribuindo sorrisos, desfilando com tranqüilidade e elegância um maravilhoso linha “balão”vermelho em cetim da Bangú, a Srta. Edméa Amaral Andrade, arrancando justos e vibrantes aplausos, e dando a todos a convicção de que voltaria a desfilar, agora ostentando o honroso e cobiçado título de “Miss Elegante” 1958.
Em seguida, desfilou a Srta. Nelza Alvim, envergando um lindo vestido “saco”em veludo verde, sendo também aplaudidíssima. Realmente nossa bela representante, pela graça e encanto que irradiava, fez jus àqueles aplausos.
A terceira a desfilar fioi a encantadora Ieda Alvim. E fê-lo num belo “fofoca”em veludo vermelho. Como as duas primeiras, também recebeu consagradora ovação.
Surgiu, então, na passarela a exuberante Maristela Oliveira, sob um “fofoca”em fustão rosa lhe regateando aplausos o grande número de pessoas presentes.
Com ansiedade, talvez pela sua condição de debutante, era aguardada a senhorita Selma de Castro, mas Selma desfilou como veterana, tal o seu desembaraço, encanto no andar e nos movimentos. Vestida de “saco”em malha azul, foi demorada e merecidamente aplaudida.
Também, Maria José Amaral, que escolheu Palma para sua terá natal, de “colher”em tecido côco ralado amarelo, desfilou, trazendo alegria aos nossos olhos, já que estava verdadeiramente linda. Foi, por isso mesmo, das mais aplaudidas.
Mas Cisneiros também se fez representar na festa do Algodão. E o importante e progressista distrito estava muito bem representado através da estonteante Wanilde Finamore, que deslizou sôbre a passarela num “baby doll” em frezela( ?), irradiando simpatia, transmitindo beleza, e graças ao seu desembaraço com que se apresentou, foi efusivamente aplaudida.
A festa do T.A.P. parecia atingir seu ponto máximo, quando o locutor anunciou a Srta Irene Muratóri, graciosa representante da vizinha cidade de Muriaé, que desfilou um “colher” em tecido frezela(?), prestigiando, assim, nossa festa e arrancando entusiásticos aplausos.
Agora ia ser anunciada a última participante do desfile. E o animador mal acabou de mencionar Srta. Edelmira Menezes, as palmas estrugiram por todos os cantos do local em que se realizava a grande e esperada festa.
E em meio a tantas palmas, surgiu a representante de Miracema. Senhora absoluta de si, revelando impressionante desembaraço social, desfilou de “fofoca”em pied -de- poule, ela que trazia o título de a mais elegante do norte fluminense.
Agora que desfilara a última candidata ao título de “Miss Elegante” uma natural ansiedade e incontido nervosismo invadira a todos. Aqueles aplausos tributados às beldades parecem ainda hoje ecoar por toda a cidade. Embora agradável, era enorme a responsabilidade dos juízes. Cônscios dessa responsabilidade, houveram por bem solicitar aos felizes promotores da festa que fizessem desfilar em conjunto as nove representantes da beleza feminina. E graças à iniciativa da comissão julgadora, vimos Delicados pezinhos sustentando lindos corpos, perpassar por sobre a passarela, como que um desafio àqueles que tinham nos ombros o dever indeclinável de eleger a mais elegante.
Terminada a derradeira apresentação das candidatas, os olhares todos se convergiram para os juízes.
Os comentários fervilharam entre os presentes, numa demonstração assaz eloqüente de interesse em torno do veredictum a ser dado. E aquele vozeiro todo, como que por encanto, cedeu lugar ao mais completo silêncio. Ia ser anunciado o nome da vencedora do concurso. Palma conheceria, a partir daquele instante inesquecível, a “Miss Elegante”1958. E quando o locutor anunciou o nome da vencedora, so presentes se prorromperam em palmas, dando-nos a nítida impressão de que viria abaixo nosso clube, palco de tantas e tão memoráveis noitadas.
Surgiu, então, na passarela, Edméa Amaral Andrade, ostentando a faixa e a corôa que lhe deram o honroso título de Miss Elegante 1958. E Edméa estava mais linda do que nunca, feliz e elegante, distribuindo agradecimento dentro daquela modéstia que bem caracteriza as pessoas que se sabem dignas de admiração. Enquanto desfilava pela passarela, mais e mais era aplaudida.
Edméa recebia, assim, a consagração definitiva, a maior prova de que merecera o pomposo título.
Mas outras beldades também foram distinguidas com diversos títulos.
Nelza Alvim e Maria José Amaral, se colocaram respectivamente em primeiro e segundo lugares no concurso de trajes mais bonitos.
Wanilde Finamore e Edelmira Menezes foram as duas visitantes colocadas em 1o e 2o lugares recebendo, todas, além do título, por si só honroso, riquíssimos mimos.
Quase ao fim da festa, a comissão organizadora decidiu conceder mais um título, qual seja, o de Rainha do Algodão a uma das jovens presentes.
Procedida a votação, Edméa Amaral Andrade mais uma vez mereceu a preferência dos presentes, levando, assim, para o belo palacete da Rus Bias Fortes os dois títulos, juntando-os aos inúmeros que já possuía.
Ao encerrar estes modestos comentários, permita-me servir das colunas deste jornal, conceituado órgão editado nesta cidade, para transmitir a valorosa equipe do T.A.P. os meus sinceros cumprimentos pela magnífica festa de 20 de julho passado e ardentes votos para que levem adiante o grandioso plano de construir num futuro próximo sua séde nesta cidade.
À linda rainda do Algodão e Miss Elegante 1958, formulo votos para que seu longo e feliz reinado seja repleto de lindos sonhos.
A renda bruta foi de Cr$13.520,00, despesas de Cr$7.943,00, dando um saldo a favor do T.A.P. de Cr$5.577,00.
Para constar fiz a presente ata que será assinada pela diretoria e amadores que auxiliaram para o brilhantismo da festa.
Assinam: Maria Geralda Gomes, Hélcio Marcenes Silva, Helvécio Marcenes da Silva, Helvécio Nogueira, José Agrícola.
Aos 20 dias do mês de julho de 1958, foi realizada no club local a Festa do Algodão, organizada pelo T.A.P.
Para comentar a referida festa transcrevo abaixo o artigo do Dr. Fued Abdala Chebli, pelo jornal “A Defesa”de 24 – 8- 1958.
FESTA DO ALGODÃO
Escreveu Fued Abdala Chebli
Realizou-se no dia 20 de julho próximo passado, no sal’`ao principal da Sociedade Musical Santa Cecília, a tradicional festa do algodão, promovida pelos integrantes do Teatro de Amadores de Palma e animada por “Carmindinho” e seu conjunto, apontado sem favor como o melhor do Estado do Rio.
A grande festa, como se esperava, transcorreu com o brilhantismo e entusiasmo que caracterizam as iniciativas do T.A.P.
Como início das festividades, foi organizado um magnífico desfile de modas em tecidos de algodão, salientando-se as novas linhas “trapézio”, “saco”, “fofoca”, “colher”, ’”melindrosa” etc., do mesmo participando encantadoras senhoritas da sociedade local e visitantes, especialmente convidadas.
Ao ser iniciado o monumental desfile, já era das mais intensas a expectativa reinante entre os presentes. E precisamente as 22 horas, ante uma comissão julgadora escolhida com muito carinho, surgiu na passarela, linda, distribuindo sorrisos, desfilando com tranqüilidade e elegância um maravilhoso linha “balão”vermelho em cetim da Bangú, a Srta. Edméa Amaral Andrade, arrancando justos e vibrantes aplausos, e dando a todos a convicção de que voltaria a desfilar, agora ostentando o honroso e cobiçado título de “Miss Elegante” 1958.
Em seguida, desfilou a Srta. Nelza Alvim, envergando um lindo vestido “saco”em veludo verde, sendo também aplaudidíssima. Realmente nossa bela representante, pela graça e encanto que irradiava, fez jus àqueles aplausos.
A terceira a desfilar fioi a encantadora Ieda Alvim. E fê-lo num belo “fofoca”em veludo vermelho. Como as duas primeiras, também recebeu consagradora ovação.
Surgiu, então, na passarela a exuberante Maristela Oliveira, sob um “fofoca”em fustão rosa lhe regateando aplausos o grande número de pessoas presentes.
Com ansiedade, talvez pela sua condição de debutante, era aguardada a senhorita Selma de Castro, mas Selma desfilou como veterana, tal o seu desembaraço, encanto no andar e nos movimentos. Vestida de “saco”em malha azul, foi demorada e merecidamente aplaudida.
Também, Maria José Amaral, que escolheu Palma para sua terá natal, de “colher”em tecido côco ralado amarelo, desfilou, trazendo alegria aos nossos olhos, já que estava verdadeiramente linda. Foi, por isso mesmo, das mais aplaudidas.
Mas Cisneiros também se fez representar na festa do Algodão. E o importante e progressista distrito estava muito bem representado através da estonteante Wanilde Finamore, que deslizou sôbre a passarela num “baby doll” em frezela( ?), irradiando simpatia, transmitindo beleza, e graças ao seu desembaraço com que se apresentou, foi efusivamente aplaudida.
A festa do T.A.P. parecia atingir seu ponto máximo, quando o locutor anunciou a Srta Irene Muratóri, graciosa representante da vizinha cidade de Muriaé, que desfilou um “colher” em tecido frezela(?), prestigiando, assim, nossa festa e arrancando entusiásticos aplausos.
Agora ia ser anunciada a última participante do desfile. E o animador mal acabou de mencionar Srta. Edelmira Menezes, as palmas estrugiram por todos os cantos do local em que se realizava a grande e esperada festa.
E em meio a tantas palmas, surgiu a representante de Miracema. Senhora absoluta de si, revelando impressionante desembaraço social, desfilou de “fofoca”em pied -de- poule, ela que trazia o título de a mais elegante do norte fluminense.
Agora que desfilara a última candidata ao título de “Miss Elegante” uma natural ansiedade e incontido nervosismo invadira a todos. Aqueles aplausos tributados às beldades parecem ainda hoje ecoar por toda a cidade. Embora agradável, era enorme a responsabilidade dos juízes. Cônscios dessa responsabilidade, houveram por bem solicitar aos felizes promotores da festa que fizessem desfilar em conjunto as nove representantes da beleza feminina. E graças à iniciativa da comissão julgadora, vimos Delicados pezinhos sustentando lindos corpos, perpassar por sobre a passarela, como que um desafio àqueles que tinham nos ombros o dever indeclinável de eleger a mais elegante.
Terminada a derradeira apresentação das candidatas, os olhares todos se convergiram para os juízes.
Os comentários fervilharam entre os presentes, numa demonstração assaz eloqüente de interesse em torno do veredictum a ser dado. E aquele vozeiro todo, como que por encanto, cedeu lugar ao mais completo silêncio. Ia ser anunciado o nome da vencedora do concurso. Palma conheceria, a partir daquele instante inesquecível, a “Miss Elegante”1958. E quando o locutor anunciou o nome da vencedora, so presentes se prorromperam em palmas, dando-nos a nítida impressão de que viria abaixo nosso clube, palco de tantas e tão memoráveis noitadas.
Surgiu, então, na passarela, Edméa Amaral Andrade, ostentando a faixa e a corôa que lhe deram o honroso título de Miss Elegante 1958. E Edméa estava mais linda do que nunca, feliz e elegante, distribuindo agradecimento dentro daquela modéstia que bem caracteriza as pessoas que se sabem dignas de admiração. Enquanto desfilava pela passarela, mais e mais era aplaudida.
Edméa recebia, assim, a consagração definitiva, a maior prova de que merecera o pomposo título.
Mas outras beldades também foram distinguidas com diversos títulos.
Nelza Alvim e Maria José Amaral, se colocaram respectivamente em primeiro e segundo lugares no concurso de trajes mais bonitos.
Wanilde Finamore e Edelmira Menezes foram as duas visitantes colocadas em 1o e 2o lugares recebendo, todas, além do título, por si só honroso, riquíssimos mimos.
Quase ao fim da festa, a comissão organizadora decidiu conceder mais um título, qual seja, o de Rainha do Algodão a uma das jovens presentes.
Procedida a votação, Edméa Amaral Andrade mais uma vez mereceu a preferência dos presentes, levando, assim, para o belo palacete da Rus Bias Fortes os dois títulos, juntando-os aos inúmeros que já possuía.
Ao encerrar estes modestos comentários, permita-me servir das colunas deste jornal, conceituado órgão editado nesta cidade, para transmitir a valorosa equipe do T.A.P. os meus sinceros cumprimentos pela magnífica festa de 20 de julho passado e ardentes votos para que levem adiante o grandioso plano de construir num futuro próximo sua séde nesta cidade.
À linda rainda do Algodão e Miss Elegante 1958, formulo votos para que seu longo e feliz reinado seja repleto de lindos sonhos.
A renda bruta foi de Cr$13.520,00, despesas de Cr$7.943,00, dando um saldo a favor do T.A.P. de Cr$5.577,00.
Para constar fiz a presente ata que será assinada pela diretoria e amadores que auxiliaram para o brilhantismo da festa.
Assinam: Maria Geralda Gomes, Hélcio Marcenes Silva, Helvécio Marcenes da Silva, Helvécio Nogueira, José Agrícola.
ATA DE APRESENTAÇÃO DO TAP - O SEGREDO DO PADRE JEREMIAS

Cartazete de divulgação da peça A FEIA, do TAP e Hélcio Marcenes Silva
Aos vinte e cinco dias de junho de mil novecentos e cincoenta e quatro, após quatro anos de silêncio, volta o T.A.P. às suas atividades, apresentando no palco do Cine Brasil, uma empolgante peça dramática que é uma verdadeira jóia do Teatro Nacional, intitulada “O Segredo do Padre Jeremias” de Ferreira Neto.
Foram presenteados com a renda desse espetáculo os presidiários locais, para compra de roupas, apurando a quantia de Cr$2.500,00.
Em primeira audição foi cantado pelos amadores o Hino do T.A.P., gentileza do Sr. Nacib Salim (letra e música) a quem nosso quadro fica eternamente agradecido.
O programa apresentado nesta noite de alegria pela volta de atividade do T.A.P. foi a seguinte:
1o – Hino do T.A.P. – por todos.
2o – El amore – Bailado – Hélcio, Amélia , Zezinho, Norma, Jarbas, Virgínia, Helvécio(guinga), Laurici, Maria Lúcia e Maria Célia
3o – A volta do herói – Declamação – por Victória Maron
4o – Cartas de amor – Canto e declamação – Hélcio e Victória
5o - Eu só amo você – Bolero cantado por Amélia
6o – Índia – quadro – Norma, Josélia, Helvécio Nogueira e Amélia.
7o – História de um coração – Declamação por Maria Stela Amaral
8o – O Segredo do Padre Jeremias – Drama em 3 atos de Ferreira Neto, com a seguinte distribuição:
IRMÀO – Jarbas Agrícola
FIEL – Virgínia Matos
Pe. JEREMIAS – Hélcio Marcenes
Da. AUGUSTA – Josélia Pereira
NEUZA MARIA – Ma. Stela Amaral
FLAVIO – Helvécio Nogueira
JONAS – Helvécio Marcenes
Dr.ODILON – José Agrícola
MADRE ANGËLICA – Victória Maron
REPORTER – Laurici Moura
Nessa apresentação tivemos a direção artística de Hélcio Marcenes. Ponto – Déa de Paula Freitas.
Eu. , secretária, para constar mandei lavrar a presente ata que será assinada por mim, diretoria e amadores.
Palma, 25 de junho de 1954
(assinam) Maria Stella Alvim do Amaral, Hélcio Marcenes Silva, Cyro de Castro Araújo, Helvécio Marcenes da Silva, José Agrícola, Jarbas Agrícola, Josélia Pereira, Victória Maron, Virgínia Maria Matos, Lauricy Duarte Moura, Amélia Petrilo, Norma Chicre, Geraldo Petrilo, Domingas Helena Petrilo.
sábado, 22 de agosto de 2009
SHOW DE VARIEDADES DE HELVECIO NOGUEIRA SUCESSO NAS NOITES DE PALMA

...tenho ciúme do sol, do luar do mar,
tenho ciúme de tudo,
tenho ciúme até
da roupa que tu vestes.
- Não, Seu Antônio. Tira um tom mais alto um pouquinho só!
- Então, vamos lá!
Nesse momento, toda a Rua do Cinema ouve a voz da Nair, que ensaia a música do Orlando Dias, que ela pretende cantar logo mais, à noite no Show de variedades do Helvécio Nogueira.
Enquanto isso, no pequeno palco do Cine Brasil, vai sendo montado o esquema para o show que será apresentado a partir das oito da noite.
Numa mesa, no canto à direita, são expostos os prêmios que serão sorteados entre os espectadores do espetáculo.
A cortina de tecido acetinado vermelho é fechada na frente da tela recém-inaugurada de cinemascope.
A pequena caixa de som, com amplificador, é colocada logo atrás da mesa. É dela que sairá o som do violão tocado pelo Sr. Antonio Agrícola, o músico responsável por acompanhar os cantores, cantoras , calouros e calouras do show.
As crianças, em suas casas, juntam todo tipo de quinquilharia para o show. Logo mais os bolsos estarão cheios de palitos de fósforos, pregos, folhas de papel de carta Copacabana, maços de cigarros vazios, anéis, alianças, balas, chaves, caixinhas de chicletes Adams, e mais uma variedade imensa de objetos.
Pouco antes do show começar são abertas as inscrições para o show de calouros.
Os cantores e cantoras palmenses se esmeram no figurino. As meninas já foram na Dona Neuza e na Maria Leite. Rolinhos nos cabelos, secador e penteados. Os rapazes procuraram as barbearias do Gesney e do Cidinho para cortar os cabelos e acertar os bigodes. Laquê e gumex completam os penteados na saída para o show.
O Cine Brasil, palco do espetáculo está todo iluminado. Do lado de fora as lâmpadas também foram acesas. Ingressos vendidos, todas as cadeiras ocupadas. Mas ninguém quer ficar de fora. Alguns voltam em casa ou vão até o Bar Tip Top ou no Leão da Esquina e conseguem cadeiras emprestadas. O corredor que já era estreito se enche de cadeiras extras.
É por esse corredor apertado que o animador do show faz sua entrada.
- Com vocês, Helvécio Nogueira e o Show de Variedades.
Com a voz grave que lhe é característica, Helvécio, ovacionado pela platéia, dá o seu :
- Boa Noite, querido público.
E o espetáculo começa. Pelo palco do Cine Brasil desfila o grande time de astros e estrelas da música palmense..
José Machado, fazendo como sempre ritmo com os pés, canta , de Agustín Lara, Solamente una vez.
Marta Torres, de Margarida Lecuona, canta o grande sucesso de Ângela Maria. Seu Antônio dá a introdução e Marta começa:
Está empezando el velorio
Que le hacemos a Babalú
Dame diecisiete velas
Pa pornelas en cruz
Dame un cabo de tabaco, mañiengue...
O agudo que dá em Babalúúúúú encanta a todos.
O público aplaude
O galã, Ciro de Castro , sobe ao palco. Os brotos quase deliram. E Ciro interpreta:
Bonequita linda
De cabelos loiros
Olhos de cristais
Lábios de rubi.
Lena, que tem olhos azuis, e é o grande amor de Ciro, também encanta a todos , cantando um grande sucesso de Dalva de Oliveira.
A seguir, Helvécio, com o timbre de Nelson Gonçalves, apresenta, de Benedito Lacerda e David Nasser, A Normalista
Vestida de azul e branco
Olhos de cristais
Lábios de rubi.
Lena, que tem olhos azuis, e é o grande amor de Ciro, também encanta a todos , cantando um grande sucesso de Dalva de Oliveira.
A seguir, Helvécio, com o timbre de Nelson Gonçalves, apresenta, de Benedito Lacerda e David Nasser, A Normalista
Vestida de azul e branco
Trazendo um sorriso franco
No rostinho encantador
Minha linda normalista
Rapidamente conquista
Meu coração sem amor
Eu que trazia fechado
Eu que trazia fechado
Dentro do peito guardado
Meu coração sofredor
Estou bastante inclinado
A entregá-lo ao cuidado
Daquele brotinho em flor
Mas, a normalista linda
Mas, a normalista linda
Não pode casar ainda
Só depois que se formar...
Eu estou apaixonado
O pai da moça é zangado
E o remédio é esperar
O apresentador chama uma criança para fazer um sorteio. Ela tira o número 17. José Antonio , todo feliz, busca seu prêmio: Um sabonete eucalol e um vidro de extrato Dirce.
Em seguida, Helvécio anuncia:
-Quem me trouxer um papel de bala Juquinha, ganha dois picolés do Bar do Benedito.
A criançada sai correndo em disparada. Pulam por cima das cadeiras, pisam nos pés dos outros e vão correndo pela rua do Cinema, àquela hora vazia. Todos estão no show.
Enquanto as crianças procuram pelos papéis, o apresentador agradece aos patrocinadores: Casa Azul, de Elias Abdalla, Bar do Benedito Amaral, Bar Rio Minas, do Seu Duarte, Sapataria São Crispim, de João Pereira Gomes, Seu Osvaldo e Dona Aurora, do Leão da Esquina , Oficina do Pedro Chicre e Açougue do Juquinha.
Rapidamente, entra um moleque gritando e mostrando na mão um punhado de papel de bala. Sobe a pequena escada de madeira que dá acesso ao palco e despeja todos eles sobre a mesinha. Helvécio confere e entrega um vale para o menino pegar o prêmio.
Em seguida, entram os calouros.
Depois, Nair canta o sucesso de Orlando Dias e Walter Moura, debaixo de aplausos e gritos, canta Conceição, sucesso de Cauby Peixoto.
Para encerrar o show, Helvécio convida o grande ator, Hélcio Marcenes, fundador do Teatro de Amadores Palmense, que emociona a todos com o belo poema “As mãos”.
Para que servem as mãos? As mãos servem para pedir, prometer, chamar, conceder, ameaçar, suplicar, exigir, acariciar, recusar, interrogar, admirar, confessar, calcular, comandar, injuriar, incitar, teimar, encorajar, acusar, condenar, absolver, perdoar, desprezar, desafiar, aplaudir, reger, benzer, humilhar, reconciliar, exaltar, construir, trabalhar, escrever...... ... foi com as mãos que Jesus amparou Madalena; com as mãos David agitou a funda que matou Golias; as mãos dos Césares romanos decidiam a sorte dos gladiadores...
Aplausos. Muitos aplausos.
O público aplaude de pé.
Despistadamente, alguns espectadores enxugam um lágrima que cai.
Hélcio agradece. E Helvécio, vitoriosamente, encerra mais um Show de Variedades.
– Muito obrigado. E até o próximo Show , se Deus quiser!
Palma, 22 de agosto de 2009.
O apresentador chama uma criança para fazer um sorteio. Ela tira o número 17. José Antonio , todo feliz, busca seu prêmio: Um sabonete eucalol e um vidro de extrato Dirce.
Em seguida, Helvécio anuncia:
-Quem me trouxer um papel de bala Juquinha, ganha dois picolés do Bar do Benedito.
A criançada sai correndo em disparada. Pulam por cima das cadeiras, pisam nos pés dos outros e vão correndo pela rua do Cinema, àquela hora vazia. Todos estão no show.
Enquanto as crianças procuram pelos papéis, o apresentador agradece aos patrocinadores: Casa Azul, de Elias Abdalla, Bar do Benedito Amaral, Bar Rio Minas, do Seu Duarte, Sapataria São Crispim, de João Pereira Gomes, Seu Osvaldo e Dona Aurora, do Leão da Esquina , Oficina do Pedro Chicre e Açougue do Juquinha.
Rapidamente, entra um moleque gritando e mostrando na mão um punhado de papel de bala. Sobe a pequena escada de madeira que dá acesso ao palco e despeja todos eles sobre a mesinha. Helvécio confere e entrega um vale para o menino pegar o prêmio.
Em seguida, entram os calouros.
Depois, Nair canta o sucesso de Orlando Dias e Walter Moura, debaixo de aplausos e gritos, canta Conceição, sucesso de Cauby Peixoto.
Para encerrar o show, Helvécio convida o grande ator, Hélcio Marcenes, fundador do Teatro de Amadores Palmense, que emociona a todos com o belo poema “As mãos”.
Para que servem as mãos? As mãos servem para pedir, prometer, chamar, conceder, ameaçar, suplicar, exigir, acariciar, recusar, interrogar, admirar, confessar, calcular, comandar, injuriar, incitar, teimar, encorajar, acusar, condenar, absolver, perdoar, desprezar, desafiar, aplaudir, reger, benzer, humilhar, reconciliar, exaltar, construir, trabalhar, escrever...... ... foi com as mãos que Jesus amparou Madalena; com as mãos David agitou a funda que matou Golias; as mãos dos Césares romanos decidiam a sorte dos gladiadores...
Aplausos. Muitos aplausos.
O público aplaude de pé.
Despistadamente, alguns espectadores enxugam um lágrima que cai.
Hélcio agradece. E Helvécio, vitoriosamente, encerra mais um Show de Variedades.
– Muito obrigado. E até o próximo Show , se Deus quiser!
Palma, 22 de agosto de 2009.
PRIMEIRA APRESENTAÇÃO DO TEATRO DE AMADORES PALMENSES
ATA DA PRIMEIRA APRESENTAÇÃO DO T.A.P.Aos três dias do mês de abril de mil novecentos e quarenta e nove foi realizada no palco da Sociedade Musical Santa Cecília a primeira apresentação do T.A.P. ao povo desta cidade, com o consagrado drama de Antonio da Silva Peixoto, em 2 atos: “O Poder da Fé”.
Verificou-se neste espetáculo a renda de Cr$680,00 que foi revertida em benefício do Dispensário Saio Vicente de Paulo, desta cidade, sendo entregue ao Snr. Padre Oscar de Oliveira a quantia de Cr$380,00, e o restante efetuado em despesas com a apresentação.
Os amadores tendo recebido calorosos aplausos por parte da seleta platéia e imprensa local, prometeram em breve fazer novas apresentações , procurando cada vez mais agradar o exigente público desta cidade.
O programa para este espetáculo foi assim constituído:
1o – Deus salve América – por todos
2o – Duas almas – bolero cantado por Aurete
3o – Proteção de Deus - Dramatização por Juquinha, Josélia e Helvécio.
4o – Buena Dicha – Canto por Aurete e Hélcio
5o – Se não fosse o telefone – esquete – por Aurete, Francisco, Newton, Maria Stela e Juquinha.
6o – O Poder da Fé – Drama em 2 atos de Antonio Silva Peixoto, com a seguinte distribuição:
ERNANI – Hélcio Marcenes
DR. MARIO – Newton Gouvêa
ZENITA – Josélia Pereira
IRMÃ TEREZINHA – Maria Stela Amaral
ARLETE – Norma Chicre
N.S.DAS GRAÇAS – Neide Freitas
7O – Contos dos Bosques de Viena – bailado p/ Aurete, Helma, Maria Helena, Maria Stela e Deusdedete
8o – Serenata de Joseli – Canto por Hélcio e Aurete
9o – Momentos de Aperto - Comédia em 1 ato por Hélcio, Aparecida, Francisco, Helvécio e Juquinha.
10o – Baião – Bailado – Juquinha, Aurete, Helma, Maria Stela, Maria Helena, Josélia, Aparecida e Deusdedete
E com esse mesmo programa o T.A.P fez sua primeira excursão em Morro Alto no salão do cinema local, no dia 6 de abril.
Para constar, eu Helvécio Nogueira, Secretário por ordem do Snr. Presidente lavrei a presente ata que será assinada pela diretoria e amadores.
Assinam
Helvécio Nogueira
Helcio Marcenes Silva
José Gonçalves Ferreira
Francisco Ferreira Filho
Josélia Pereira
Aurette Agrícola
Norma Chicre
Helma Marcenes da Silva
Maria Stella Alvim do Amaral
(Foto de apresentação de peça teatral do TAP, na década de 1950, com Hlevécio Nogueira, Maria Stella Alvim do Amaral, Lourdes campos e Hélcio Marcenes)
ATA DE FUNDAÇÃO DO TAP TEATRO DE AMADORES PALMENSES

TEATRO DE AMADORES PALMENSES
ATA DE FUNDAÇÃO
Aos 13 dias do mês de outubro de 1948, compareceram no Salão da Sociedade Musical Santa Cecília, os seguintes rapazes e senhoritas da nossa sociedade: Newton Gouvêa, Helvécio Nogueira, Josélia Pereira, Helma Marcenes, Aurette Agrícola, Maria Helena Chicre, Maria Stela Amaral, a convite de Hélcio Marcenes e José Gonçalves, para tornar realidade a fundação de um grupo de amadores teatrais.
Após breve conversação, foi escolhido o nome para frutuoso grêmio, sendo batizado por “Teatro de Amadores Palmenses”, e foi ventilada a idéia de uma pequena eleição para escolha da primeira diretoria para o prazo de um ano.
Depois de apurada a votação, ficou assim constituída a referida diretoria:
Presidente de Honra – Da. Balbina de Oliveira
Presidente – Hélcio Marcenes
Vice-Presidente – Newton Gouvêa
Secretário – Helvécio Nogueira
1o Tesoureiro – José Gonçalves
2o Tesoureiro – Josélia Pereira
Oradora – Maria Stela Amaral
Ponto – Déa de Paula Freitas
Tendo sido aprovada, logo foi empossada a diretoria.
O presidente eleito agradeceu aos seus colegas a honra que lhe deram, prometendo não medir esforços para ver a glória do T.A.P., declarando que terá o mesmo como finalidade, além de contribuir para o progresso artístico de nossa terra, o elevado intuito de cooperar nas obras materiais, sobretudo as de fim caritativo e de assistência social aos pobres.
Nada mais havendo a tratar, eu Helvécio Nogueira, secretário, lavrei a presente ata que será assinada por mim, pelos membros da diretoria e demais amadores. Palma, 13 de outubro de 1948
(assinaturas)
Helvécio Nogueira
Hélcio Marcenes Silva
Josélia Pereira
José Gonçalves Ferreira
Maria Stella Alvim do Amaral
Déa de Paula Freitas
Helma Marcenes da Silva
Maria Helena Cricre
Aurette Agrícola
(copiado do livro de atas do T.A.P.)
(foto de reunião do TAP - Ciro de Castro, Helvécio Marcenes(Guinga), José Joaquim Prazeres Ferreira
(Zé Trequinha),Helvécio Nogueira, Selma de Castro, Hélcio Marcenes e Norma Chicre)
ATA DE FUNDAÇÃO
Aos 13 dias do mês de outubro de 1948, compareceram no Salão da Sociedade Musical Santa Cecília, os seguintes rapazes e senhoritas da nossa sociedade: Newton Gouvêa, Helvécio Nogueira, Josélia Pereira, Helma Marcenes, Aurette Agrícola, Maria Helena Chicre, Maria Stela Amaral, a convite de Hélcio Marcenes e José Gonçalves, para tornar realidade a fundação de um grupo de amadores teatrais.
Após breve conversação, foi escolhido o nome para frutuoso grêmio, sendo batizado por “Teatro de Amadores Palmenses”, e foi ventilada a idéia de uma pequena eleição para escolha da primeira diretoria para o prazo de um ano.
Depois de apurada a votação, ficou assim constituída a referida diretoria:
Presidente de Honra – Da. Balbina de Oliveira
Presidente – Hélcio Marcenes
Vice-Presidente – Newton Gouvêa
Secretário – Helvécio Nogueira
1o Tesoureiro – José Gonçalves
2o Tesoureiro – Josélia Pereira
Oradora – Maria Stela Amaral
Ponto – Déa de Paula Freitas
Tendo sido aprovada, logo foi empossada a diretoria.
O presidente eleito agradeceu aos seus colegas a honra que lhe deram, prometendo não medir esforços para ver a glória do T.A.P., declarando que terá o mesmo como finalidade, além de contribuir para o progresso artístico de nossa terra, o elevado intuito de cooperar nas obras materiais, sobretudo as de fim caritativo e de assistência social aos pobres.
Nada mais havendo a tratar, eu Helvécio Nogueira, secretário, lavrei a presente ata que será assinada por mim, pelos membros da diretoria e demais amadores. Palma, 13 de outubro de 1948
(assinaturas)
Helvécio Nogueira
Hélcio Marcenes Silva
Josélia Pereira
José Gonçalves Ferreira
Maria Stella Alvim do Amaral
Déa de Paula Freitas
Helma Marcenes da Silva
Maria Helena Cricre
Aurette Agrícola
(copiado do livro de atas do T.A.P.)
(foto de reunião do TAP - Ciro de Castro, Helvécio Marcenes(Guinga), José Joaquim Prazeres Ferreira
(Zé Trequinha),Helvécio Nogueira, Selma de Castro, Hélcio Marcenes e Norma Chicre)
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
É MÊS DE MAIO? TEM FESTA! TEM QUERMESSE.
Anjinhos da década de 1940, na frente da Igreja Matriz de
São Francisco de Assis.
Vigário da época: Padre Prette
.
Cai a noite. É mês de maio.
O friozinho ainda existe na cidade de Palma neste ano de 1959. O desmatamento ainda não é uma realidade e o efeito estufa é coisa de ficção científica. As cadeiras nas calçadas foram guardadas e nem chegou o inverno. As noites de outono já são bem frias.
Na maioria das casas, as meninas vestem pijaminhas de flanela antes de colocarem as vestimentas de anjo. Dona Zilica já entregou todas as asas encomendadas (por causa delas, muitos patos foram para as panelas). Os papelotes são retirados e os cachinhos caem enrolados pelos ombros dos “anjinhos”.
O santuário de Nossa Senhora de Fátima, recém inaugurado, ainda não é o templo escolhido para as coroações e festividades do mês de maio. Tudo se concentra na Igreja Matriz de São Francisco de Assis. Os sinos batem. Hoje é 1o de maio, dia de coroação, o que vai se repetir durante todo o mês. Nas reuniões preliminares já foram escolhidos todos os anjinhos que irão coroar, jogar flor, colocar o véu, a palma e oferecer o coração. A Gráfica “A Defesa” já imprimiu a maioria dos santinhos que são oferecidos ao final de cada coroação. Saquinhos de filó recheados de guloseimas ( bolos, doces e balas) também são oferecidos em algumas coroações a todas as meninas que se vestem de anjo.
É lá no Salão Dom Bosco que elas se preparam para coroar e é lá também que a festa é encerrada.
Em fila, elas cantam: e vão, em direção à igreja.
Mãezinha do céu
eu não sei rezar,
eu só sei dizer,
eu quero te amar.
Azul é teu manto,
Branco é teu véu,
Mãezinha eu quero
te ver lá no céu.
A igreja está cheia. Pais e mães se acotovelam para que possam ver de perto suas filhas no altar todo forrado com papel de seda amassado, com duas escadas laterais. No alto, a imagem da Imaculada Conceição espera seus anjos e a homenagem que se repete por todo mês.
“Ave Maria.
tão terna e boa
quero ofertar-te
esta coroa”.
Assim, com esta musiquinha bem simples, as meninas menores coroam. As mais velhas ( de 6, 7,8 anos ou mais um pouco) cantam músicas mais difíceis e mais elaboradas.
Colocada a coroa, os anjinhos jogam flores na “Mãe do Céu”, os sinos repicam e os pais “babam” pelas filhotas.
Todos saem em direção às barraquinhas montadas ao lado da igreja. Seu Ilídio foi o primeiro a chegar. Recebeu, uma a uma, as prendas para o leilão e as arrumou sobre a mesa no centro da barraca. Pencas de laranja, bananas e mexericas, frangos cobertos com papel celofane vermelho preso por um palito com uma azeitona na ponta, bolos e broas enfeitados com papel recortado , imitando rendas, garrafas de vinho, jarras de porcelana, bibelôs de louça, e mais uma infinidade de prendas. Debaixo da mesa, amarrados com embiras, frangos e galinhas.
Numa outra barraca, Dona Belarmina já mexe com uma grande concha, o enorme caldeirão cheio de leite com chocolate.A Da Paz ajuda, olhando a outra panela com leite para não entornar. Em cima das tábuas que servem de balcão em toda a volta da barraca, Dona Maria Freitas arruma as xícaras de louça com os pires que são usados pelas crianças para beberem o chocolate mais frio um pouco. Elas despejam o chocolate no pires e bebem. Não há água encanada na barraca. As louças são lavadas em bacias e caixas dágua colocadas no chão ao lado do fogão a lenha.
Na barraca do pastel, Dona Zilica comanda a mesa onde a massa é aberta e os pasteis são recheados. No fogão, um tacho com gordura quente e uma mulher abanando constantemente o fogo para evitar que se apague.
Lá no canto ouve-se o grito da criançada que se junta em volta de toda a barraca. Só de perto dá pra ver o porquê. Muitas casinhas de madeira dispostas em círculo e no meio delas, até meio tonto, um coelho preso pelas orelhas espera ser solto para tentar entrar em um delas. Apostas feitas com as fichinhas compradas por “um cruzeiro”, o coelho é solto e a gritaria da criançada começa.
Numa outra barraca, jovens casais de namorados brincam de pescaria , tentando com um arame retorcido como um anzol, preso num barbante, pegar uma plaquinha com um número enterrada numa caixa de areia.
Da janela lateral da igreja, lá do alto do coro, um baldinho preso numa corda sobe e desce levando fichinhas e trazendo pequenas prendas..
O frio aumenta. Mas isso não espanta as pessoas que procuram a barraca das barcas para balançar daqui pra lá, de lá pra cá, pra lá e pra cá, cada um puxando uma corda para fazer a barca subir cada vez mais. Em duplas, as pessoas se sentam nas barcas e o balanço começa. Quem se senta de costas para as barracas, quando a barca sobe, tem a bela vista do Cemitério. Alguns, depois do estômago cheio com algumas xícaras de chocolate, pacotes de pipocas e pastéis, não resistem ao balanço e: vupt! Batizam o parceiro com uma golfada.
A festa continua. As pessoas passeiam em volta da barraca do leilão onde, aos gritos de dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três, Seu Capitão leiloa e as prendas são arrematadas.
Fim de festa. Cada um vai pra sua casa. Os anjinhos já foram dormir. Os namoradinhos , de mãos dadas, descem a ladeira.
No outro dia, tudo recomeça. E assim vai até o dia 31 de maio. Todos os dias.
Amém!
Palma, 21 de agosto de 2009.
.
Cai a noite. É mês de maio.
O friozinho ainda existe na cidade de Palma neste ano de 1959. O desmatamento ainda não é uma realidade e o efeito estufa é coisa de ficção científica. As cadeiras nas calçadas foram guardadas e nem chegou o inverno. As noites de outono já são bem frias.
Na maioria das casas, as meninas vestem pijaminhas de flanela antes de colocarem as vestimentas de anjo. Dona Zilica já entregou todas as asas encomendadas (por causa delas, muitos patos foram para as panelas). Os papelotes são retirados e os cachinhos caem enrolados pelos ombros dos “anjinhos”.
O santuário de Nossa Senhora de Fátima, recém inaugurado, ainda não é o templo escolhido para as coroações e festividades do mês de maio. Tudo se concentra na Igreja Matriz de São Francisco de Assis. Os sinos batem. Hoje é 1o de maio, dia de coroação, o que vai se repetir durante todo o mês. Nas reuniões preliminares já foram escolhidos todos os anjinhos que irão coroar, jogar flor, colocar o véu, a palma e oferecer o coração. A Gráfica “A Defesa” já imprimiu a maioria dos santinhos que são oferecidos ao final de cada coroação. Saquinhos de filó recheados de guloseimas ( bolos, doces e balas) também são oferecidos em algumas coroações a todas as meninas que se vestem de anjo.
É lá no Salão Dom Bosco que elas se preparam para coroar e é lá também que a festa é encerrada.
Em fila, elas cantam: e vão, em direção à igreja.
Mãezinha do céu
eu não sei rezar,
eu só sei dizer,
eu quero te amar.
Azul é teu manto,
Branco é teu véu,
Mãezinha eu quero
te ver lá no céu.
A igreja está cheia. Pais e mães se acotovelam para que possam ver de perto suas filhas no altar todo forrado com papel de seda amassado, com duas escadas laterais. No alto, a imagem da Imaculada Conceição espera seus anjos e a homenagem que se repete por todo mês.
“Ave Maria.
tão terna e boa
quero ofertar-te
esta coroa”.
Assim, com esta musiquinha bem simples, as meninas menores coroam. As mais velhas ( de 6, 7,8 anos ou mais um pouco) cantam músicas mais difíceis e mais elaboradas.
Colocada a coroa, os anjinhos jogam flores na “Mãe do Céu”, os sinos repicam e os pais “babam” pelas filhotas.
Todos saem em direção às barraquinhas montadas ao lado da igreja. Seu Ilídio foi o primeiro a chegar. Recebeu, uma a uma, as prendas para o leilão e as arrumou sobre a mesa no centro da barraca. Pencas de laranja, bananas e mexericas, frangos cobertos com papel celofane vermelho preso por um palito com uma azeitona na ponta, bolos e broas enfeitados com papel recortado , imitando rendas, garrafas de vinho, jarras de porcelana, bibelôs de louça, e mais uma infinidade de prendas. Debaixo da mesa, amarrados com embiras, frangos e galinhas.
Numa outra barraca, Dona Belarmina já mexe com uma grande concha, o enorme caldeirão cheio de leite com chocolate.A Da Paz ajuda, olhando a outra panela com leite para não entornar. Em cima das tábuas que servem de balcão em toda a volta da barraca, Dona Maria Freitas arruma as xícaras de louça com os pires que são usados pelas crianças para beberem o chocolate mais frio um pouco. Elas despejam o chocolate no pires e bebem. Não há água encanada na barraca. As louças são lavadas em bacias e caixas dágua colocadas no chão ao lado do fogão a lenha.
Na barraca do pastel, Dona Zilica comanda a mesa onde a massa é aberta e os pasteis são recheados. No fogão, um tacho com gordura quente e uma mulher abanando constantemente o fogo para evitar que se apague.
Lá no canto ouve-se o grito da criançada que se junta em volta de toda a barraca. Só de perto dá pra ver o porquê. Muitas casinhas de madeira dispostas em círculo e no meio delas, até meio tonto, um coelho preso pelas orelhas espera ser solto para tentar entrar em um delas. Apostas feitas com as fichinhas compradas por “um cruzeiro”, o coelho é solto e a gritaria da criançada começa.
Numa outra barraca, jovens casais de namorados brincam de pescaria , tentando com um arame retorcido como um anzol, preso num barbante, pegar uma plaquinha com um número enterrada numa caixa de areia.
Da janela lateral da igreja, lá do alto do coro, um baldinho preso numa corda sobe e desce levando fichinhas e trazendo pequenas prendas..
O frio aumenta. Mas isso não espanta as pessoas que procuram a barraca das barcas para balançar daqui pra lá, de lá pra cá, pra lá e pra cá, cada um puxando uma corda para fazer a barca subir cada vez mais. Em duplas, as pessoas se sentam nas barcas e o balanço começa. Quem se senta de costas para as barracas, quando a barca sobe, tem a bela vista do Cemitério. Alguns, depois do estômago cheio com algumas xícaras de chocolate, pacotes de pipocas e pastéis, não resistem ao balanço e: vupt! Batizam o parceiro com uma golfada.
A festa continua. As pessoas passeiam em volta da barraca do leilão onde, aos gritos de dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três, Seu Capitão leiloa e as prendas são arrematadas.
Fim de festa. Cada um vai pra sua casa. Os anjinhos já foram dormir. Os namoradinhos , de mãos dadas, descem a ladeira.
No outro dia, tudo recomeça. E assim vai até o dia 31 de maio. Todos os dias.
Amém!
Palma, 21 de agosto de 2009.
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