terça-feira, 18 de agosto de 2009

FOTOS - GRUPO ESCOLAR, PROFESSORAS E FUTEBOL

Grupo Escolar Artur Bernardes,
no ano de sua inauguração, 1919.
Professoras e Diretora do Grupo Escolar Artur Bernardes - 1959
da esquerda para a direita: Dona Ieda, Dona Romilda, Dona Odette,
Dona Judith(diretora) Dona Eny, Dona Percy e Dona Filinha

Clube Atlético Palmense - década de 1950
Sr. Miguel e os jogadores: Oswaldo, Alberto Rocha,Newton Gouvêa,
João Pereira Gomes, Benedito Amaral, Sebastião Aarão, João Soares,
Nacib Salim, William Amaral, Pedro Xavier, Abílio e Gibson.







segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O ENCONTRO





A casa estava vazia. Era uma quinta-feira após o carnaval. Nós, meus irmãos, alguns primos, alguns amigos e eu cantávamos, ainda, umas musiquinhas que foram sucesso no reinado de momo.
O Senhor Antônio mudara da casa não fazia uma semana. Como ela era de propriedade de meu tio e estava aberta para limpeza, fomos pra lá fazer nosso bailinho de carnaval. Pulávamos, brincávamos, cantávamos, era uma balbúrdia geral.
O suor começou a escorrer pelo meu corpo. Aí, tentei dar uma fugidinha. E consegui. Fui para a sala ( brincávamos no quarto grande) e lá encontrei um homem fantasiado.
- Veio brincar com a gente? Perguntei
- Não. Vim apenas vê-los. Ele respondeu .
- Como é seu nome?
- Deixa pra lá!!!
- Ah! - puxei-o pelo braço. – vem aqui dentro. Vem pular com a gente.
- Não. Respondeu-me, secamente, o homem.
- Me fala seu nome, vai...
- Vem cá. Dizendo-me isso, estendeu os braços como se fosse para que eu subisse no seu colo.
- Ta.
Dependurei-me em seu pescoço e notei que ele pegava fogo. Parece que estava com febre. Suas mãos eram ásperas, mas seu sorriso contagiante.
- Quantos anos você tem?
- Três. Respondi. E o senhor?
- Eu não mais tenho idade.
- Por que?
Ele fingiu não ouvir.
- Bonita sua fantasia.
A fantasia dele era cinza, felpuda, com um grande rabo, dois chifres e um tridente.
Eu me pareço com o capeta? Ele perguntou.
Não. Minha mãe falou que o Capeta é feio, vermelho, muito ruim. Falou que ele é muito mau, que a gente nem deve pensar nele e...
Nossa conversa foi interrompida pela chegada das outras crianças. Ele, rapidamente, me soltou e correu para a copa. Ainda fiquei algum tempo olhando para ele que, com um sorriso bondoso falou pra mim, bem baixinho, quase só mexendo com os lábios.
- Sou o capeta, sim. Mas não sou mau como dizem.
E numa nuvem de fumaça desapareceu.


Beto metri
Escrito em 1984

sábado, 15 de agosto de 2009

FOTOS ARCO IRIS E ...

Tarde com arco-íris em Palma.
Serra da Pedra Negra.
Maior altitude do município de Palma, com 785 metros.

Casa na Rua Costa Reis.


Portão de entrada do Cemitério Municipal
Palma - Minas Gerais




Palma em fotos atuais

Praça da Matriz
Ao fundo, Mato Santo, área de mata urbana,
preservada, após mobilização popular, na década de 1990.
Igraja Matriz de São Francisco de Assis


Gruta de Nossa Senhora de Lourdes

Casarão da Rua Tiradentes.



Rua Costa Reis.





FOTOS - VALE A PENA PRESERVAR!

Capela Santo Antônio - ainda mantém o altar original.
É uma igreja simples, mas tão bonita!

Casa na Rua Francisco Sales.
Esta é outra construção que vale a pena ser vista. Bem conservada, com a fachada original . Que bom que existe gente que pensa como a proprietária desta casa!


Casarão na Rua José de Paula Freitas.
Dispensa comentários. É só olhar.



Bela construção da Rua Bias Fortes.




Imponente casarão na Rua Antônio José de Andrade..
A casa ainda pertence à família de Antonio José de Andrade, que foi prefeito de Palma na década de 1960 e homenageado com o nome da rua.

FOTOS - CASARÃO DOS TIJOLINHOS

Fachada de casarão do Século XIX
na Rua Antônio José de Andrade
Rua Antônio José de Andrade ,
com Escola Estadual Artur Bernardes e,
ao fundo,
Praça Getúlio Vargas com os prédios da Prefeitura e
do Fórum.


Interior de casarão do século XIX,
na Rua Antônio José de Andrade


Interior do segundo andar
do casarão.



Pintura na parede interna, que registra a
data do final da obra do
"casarão de tijolinhos "
da Rua Antônio José de Andrade.





FOTO - ABRIGO SÃO VIVENTE DE PAULO


Abrigo da Obra Unida São Vicente de Paulo e Salão Paroquial, na Praça da Matriz, PAlma.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Um poeminha simples, para um homem simples, de uma grandeza!!!!

AH! Seu Zé!!!

Serenamente os anos passam.
Antes,porém, que o desfecho se anuncie
O vento frio sopra,

Vento que prediz tragicamente,
Imóvel e triste,
Cada passo rumo ao fim.
E assim, surpreso e atônito,
No correr contra o relógio,
Tocam as trombetas.
E, sem que se recupere da surpresa,

Deus revela sua face.
Eta, vida besta! - já dizia o poeta.

Porém, o mesmo poeta não maldisse
A morte , nem a perda e nem a dor.
Uma vez perdida, a vida se esvai.
Lenta, mas não se esvai pra sempre.
O homem se foi, mas ainda vive.

Eu sei que seus olhos ainda vêem

Ozanam , Vicente de Paulo,
Zé de Mattos do Maninho ou escrivão
Agora andando juntos lá no céu.
Navegam, hoje, misturados com os anjos
Acho que já conseguiram até chegar
Muito próximos ao trono de Deus.


Beto, julho de 2007






SOL A SOL



Enquanto um olho dormia, o outro ficava arregalado e a boca mascava um fuminho de rolo “dos bão”.
- É, do jeito que as coisa anda, a gente tem que fica sempre de tocais pro caso de acontece arguma disgraça.
E é levantar bem cedo, lavar a cara na água com sabor de lata, tomar um cafezinho adoçado com rapadura, pedir à mulher pra mexer um angu, comer um pouco e partir pra labuta. Deus espera; o patrão, não.
- Jesus Cristo ta no céu, Santo Antonio no altar, cobra baixa a cabeça que é presse fio de Deus passa.
Damião vai mato adentro com a foice nas costas e no embornal dois pedaços do broa de fubá preparada pela Arminda.
- Muié boa a danada! Num se incomoda cum nada. Num si importa de acorda junto cum galo. Mal o bichinho canta, já ta a Arminda de pé. E num si aperreia cum as coisa. Quando é preciso ir na venda lá na cidade, é ela que arreia o animal. Lá ela pede pru Seu Zé do Maninho arruma bem direitinho as compra no saco, põe no lombo do animal e vorta pra roça. Quando ela chega em casa, ela apeia, tira as compra de cima do bicho, carrega pra dentro de casa... é... muié boa, a danada!
Caminho longo a percorrer todas as manhãs. Subir um morro, descer um outro e, quando não é para roçar um pasto é pra se meter num brejo e, com água ou lama até na cintura, arra a terra, plantar o arroz... E , no fim de semana, receber seu pouco dinheiro. Vai à cidade e compra arroz.... o que planta.
- Mas se argum dia arranja um sitiante pra meia as terra, aí sim, vô podê dá conforto pra Arminda, arruma um cavalo pra cada muleque e por eles pra estuda no Grupo da Dona Vera ou da Dona Marieta.
- Damiããããooo!!! Ôôô Damião....Damiããããoooo. Tá na hora de cume...
- Já vô, Arminda.
- Êpa!! A marmita ta fria!!!
- E eu quentei ela gorinha mesmo...
- E as criança???
- As minina tão em casa cuidando do Minduim. Tadinho! Ele ta cuma dor de barriga daquelas, cuma disinteria danada! Mas já dei pra ele um chazinho de mato cum broto de goiaba... e os outro minino tão capinando a horta do Sô Jioaquim lá na rua.
- É , muié. Já ta acabando o tempo do plantio. Sei não. Se num acha um servicinho por fora, vai sê só na coieta. Já lavo as rôpa da Dona Izabel?
- Já.
- Manda o Tunico leva.
Volta para o meio da várzea e trabalha até o sol se esconder.
Volta pra casa cansado, pregado e es estira num canto da cozinha enquanto Arminda esquenta o jantar(?) As crianças já comeram. Só falta ele.
- Ô, Arminda, o cume num ta pronto? To cuma fome dos diabo!
- Tiscunjuro, Damião!!Num fala assim, que Deus castiga.
O rádio de pilha, sintonizado numa rádio que toca música sertaneja: Assum preto veve sorto, , mas num pode avuá, mil veiz a sina duma gaiola, desde que o céu, ai, pudesse oiá...”
- Quenta o café, muié.
- Já vô, Damião.
- “Talvez pur ingnoraça, por mardade das pió, furaro os óio do assum preto, pra ele assim, ai cantá mio...
- Ämanhã tem roçada pra faze.
- Ééé. Nóis temu que comprá uns pano pra faze ropa prus minino í na missa.
- Ééé.
- Vamu drumi?
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- Acorda, home, ta na hora de ir pra missa.
- Já chamô os minino?
- Não.
- Intão chama.
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- Acorda, home. Ta na hora de trabaiá.
- Ta.
E é levantar bem cedo, lavar a cara na água com sabor de lata, tomar um cafezinho adoçado com...
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- É, Arminda. O mais veio caso. As minina tão trabaiando nas casa de família na cidade...e essa dor nas perna que num passa..
- Tem fé em Deus, home.
- É, já tamu chegando no fim da vida, e nada..
- Mas Deus foi muito bom!!
- E essa dor nas costa que me agunia!!!
- Óia a fé, home!
- E nunca achei ninguém pra meiá as terra.
- Meus dedo tão que num guento de tanto reumatismo. Tenho que lava umas rôpa.
- É. Sinão nóis num come.
Co-có-có-ricóóóóó.... có-có-có-ri-cóóóó.....
- Acorda, Damião. Tá na hora. Damião.Acorda, home de Deus.Ô Damião....Damiãããoooo...Acorda....Ih!!! Ocê ta frio!!!! Acorda, Damião......
Palma, 14 de agosto de 2009

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

UM DIA COMUM DE DOMINGO

UM DIA COMUM DE DOMINGO
NA VIDA DE UM MENINO COMUM
NA PALMA DO FINAL DA DÉCADA DE 1950

- Dóminus Vobiscum
- Et cum spírutu tuo
- Ite, Missa est
- Deo grátias
- Benedicat vos omnipotens Deus, Pater, et Filius et Spíritus Sanctus
- Amen

O fim da missa é o começo do meu dia de folga. O uniforme branco da Cruzada Eucarística Infantil e a fita amarela vão para o “camiseiro” e por lá ficarão até o próximo domingo.
Pra começar, combino com outras crianças e vamos para o jardim brincar de parte-queijo. Seu Tuninho implica com a gente e fica de marcação pra que ninguém pise nos canteiros e estrague as rosas que ele cuida com tanto carinho. Mas Seu Tuninho é muito bravo e a gente fica até com medo dele.
Pena que o Parque do Banana que está armado na Rua do Dó está fechado e a Jussara, filha do Banana só vai se apresentar co m o número de contorcionismo à noite, logo depois da Nair da Dona Bernardina cantar o último sucesso do Orlando Dias.
Como não há o que fazer e a hora do almoço está chegando, vai cada um pra sua casa. Eu, então, vou para a minha. Quando entro em casa já sinto o cheirinho do frango assado, da macarronada feita com bastante molho de massa de tomate e do arroz temperado com “petit pois” , coberto com farinha de rosca e rodelas de ovo cozido. E, como é domingo, talvez tenha até guaraná champagne e sobremesa de arroz doce com bastante canela.
Uma pequena soneca . De repente ouve-se a sirene do cinema anunciando que vai ter matiné. Mas, disso eu já sabia. Na volta do jardim, passei pela Rua do Cinema e vi o cartaz que Seu Antonio Agrícola fez com aquela letra vermelha, sombreada de azul. O filme Tarzan e as Amazonas, com Johnny Weissmuller e Brenda Joyce,já era um filme velho, da década de 40, mas toda vez que passava a gente assistia. Quase que a gente já sabia de cor e salteado todas as cenas.
Juntei minhas revistas de Cavaleiro Negro, Zorro, Roy Rogers, Mandrake, Capitão Marvel , Bolinha , coloquei a roupa nova e lá fui eu. Da janela, minha mãe vigiava pra ver se eu ia atravessar a rua direito. Tinha que olhar pros dois lados e ir pela sombra. Como tinha menino com revista no cinema naquele dia! Troquei algumas velhas por outras que eu ainda não tinha lido. A luz começou a piscar. A sirene tocou avisando que já estava na hora de começar. “Atualidades Atlântida”, alguns trailers e chegou a hora.Ao som de shiiittt!!! Sshhiiittt! a gente tocou o passarinho da tela e o filme começou. O momento é mágico. Depois do filme, vem a série do Zorro. Uma cena de suspense. E o suspense deve ser mantido até o próximo domingo quando vier o outro capítulo.
Volto pra casa onde me espera uma caneca com café e leite e pão com manteiga.
Mas o dia não termina aí. Tem o aniversário do Batista. As recomendações são as de sempre. Mãos para trás. Não comer muito. Não faltar com a educação. Não fazer bagunça. Não sujar a roupa. Não mexer nos presentes. É uma quantidade de “nãos” tão grande que quase não resta nada a fazer. Mas, vou assim mesmo.
Logo na entrada a mãe do Batista manda a gente ficar na varanda e esperar a hora do parabéns. Ficamos conversando e contando a história da série do cinema, e cada um fala o que acha que vai acontecer. Chega a hora de cantar o parabéns pra você. Na sala, no centro da mesa, um bolo coberto com glacê de limão nas laterais. Em cima do bolo, açúcar tingido com anilina verde e vários bonecos com roupinha de jogador de futebol. Uma vela azul com o número sete. Apagam-se as luzes. Acende-se a vela. Cantamos o parabéns, Batista sopra a vela. Os meninos mais educados ( ou mais reprimidos) encostam-se na parede e esperam alguém passar com uma bandeja oferecendo um docinho de figo cristalizado. Aceito um. Passa outra bandeja com olho de sogra. Posso aceitar mais um. Vem o copo de guaraná. Com um “muito obrigado”, pego um copo de papel estampado com a figura um aviãozinho. Quando chega o doce de leite, sou obrigado a dizer: não, obrigado. Minha cota de doces acabou e tenho que obedecer, senão quando tiver outro aniversário, o castigo é certo.
Que inveja do Robson que antes de sair pergunta: Posso levar um pedacinho de bolo pra minha mãe.? Ele ganha mais um pedaço e leva. Que inveja!!!!
Volto pra casa com gostinho de quero mais
Acabou a festa.
Acabou o domingo.
Hora de dormir.
“Santo anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, me guarda, me governa, me ilumina. Amém.”
Bem baixinho, quase que escondido, peço ao Santo Anjo que faça minha mãe se esquecer de fazer tanta recomendação, tanta proibição, quando chegar o próximo domingo.

Beto Metri em Palma, 12 de agosto de 2009.