

Versos para Dona Odette, em julho de 1939
Primeiro de fevereiro de 2011. Data comemorativa do centenário de Thales Barbosa Pinheiro.
Faço a ele esta homenagem:
- pelos 100 anos de vida;
- pelo homem que conheci e com quem pude ter o prazer de bater longos papos e ouvir também longas e belas histórias;
- pelo médico, companheiro de meu pai no Posto de Saúde de Palma durante muitos e muitos anos;
- pelo homem católico por excelência que vive profundamente o cristianismo ao longo de sua vida;
- pelo homem casado com Dona Odette, minha professora no Grupo Escolar Artur Bernardes (Durante muitos anos seguidos ele foi à minha loja e comprou para ela ,sempre numa data especial, todos os tipos de caixinha de música que eu tive . E sempre o fazia como se fosse a primeira vez);
- pelo colaborador do jornal A Defesa, do Sr. Antonio Agrícola, em cujas edições sempre deixava seus causos e suas cartas da roça, sempre contando coisas e fatos que aconteciam por aqui;
- pelo grande poeta (grande mesmo). Que vontade de um dia chegar a escrever bem como ele!
Por isso, hoje, como homenagem, tentando imitar seu estilo, escrevo essa CARTA DA ROÇA e a envio juntamente com meu abraço e meu carinho.
CARTA DA ROÇA
Arraiá Buraco Quente,
Produtô do bão café,
Onde os homi são valente
Mais apanha das muié.
Hoje eu vô contá a história
Dum home que aqui viveu
E ainda vive contente,
Feliz e cum as graça de Deus.
Mil novecentos e onze
primeiro de fevereiro
nasceu de Manoel e Amália
Thales Barbosa Pinheiro.
E aqui nesse arraiá
Mais de setenta anos atrás
Como dotô se afincô
E daqui num saiu mais.
Foi numa vida corrida
Lá nos tempo das charrete
Que o Cupido deu pra ele
O coração da Odette.
Não há arlequim sem colombina,
Nem serpentina sem confete,
Não existe Odette sem Thalles,
Nem tem Thales sem Odette..
Pai de quatro filho homi
E de uma menina muié,
Luiz Augusto, Augusto Ivan
Ivan, Roldão e Maisé.
Poeta de belos versos,
Colaborou n”A Defesa,
Influente na política
E bom cristão na igreja.
A pé, em lombo de burro,
Na cidade ou lá na roça,
Sempre atendeu com presteza
Nas mansão e nas palhoça.
Se o menino tinha febre
E a menina catapora
Dotô Thales picava a mula
Dizendo: - Vamo simbora.
Se a mocinha imbarrigava,
Se o patrão adoecia
Seu Dotô num minutinho
Logo,logo aparecia.
Lá no Posto de Saúde
E depois no Hospitá
Sempre podia contá
Com a presteza do Tatá.
E assim viveu a vida
Contando causo engraçado
Escrevendo verso bonito
Batendo papo animado.
Todo ano na minha loja
Com cara de criança levada
Escolhia todo prosa
Um presentinho pra amada.
São coisinhas que eu me lembro
E hoje tenho que contá
Para esse centenário
Ajudar comemorá.
Tenha ainda vida longa
Bem feliz junto dos seus
Com a presença de Maria
E muitas bênçãos de Deus.
Termino essa carta da roça
De coração e peito aberto.
Um abraço. Meu Carinho.
Assinado:Zé Alberto.